Contra crise, países aumentam quantidade de recursos em circulação. Dinheiro 'extra' traz risco de bolhas imobiliárias em países emergentes, disse.
O ministro da Fazendo, Guido Mantega, disse nesta segunda-feira (22), que a política monetária expansionista (que gera aumento da quantidade de recursos em circulação) adotada por países europeus e pelos Estados Unidos como forma de incentivar o crescimento econômico, representa risco de criação de “bolhas”.
“As políticas monetárias expansionistas praticadas tanto pelos americanos quanto pelos europeus representam a armadilha da liquidez. Acho que nós estamos aqui numa típica armadilha da liquidez – quando você joga recursos financeiros, abaixa a taxa de juros, mas não há tomadores para investimento, porque não há perspectiva de demanda e incentivo para investimento”, afirmou o ministro.
O que é guerra cambial
É a disputa entre países envolvendo a cotação de suas moedas, com a tomada de medidas unilaterais para a desvalorização de suas divisas.
Como ocorreA origem da disputa está na desvalorização contínua do dólar frente às moedas locais. Segundo economistas, os EUA 'inundam' o mundo com dólares para fazer frente aos efeitos da crise.
O problemaO dólar barato prejudica as exportações dos países, porque torna seus produtos mais baratos no mercado internacional. Os emergentes se tornam destino de muitos desses recursos 'extras'.
“Ninguém quer consumir e o dinheiro é usado para especular em commodities ou então nos mercados de países emergentes. Isso traz alguns riscos: risco de bolhas financeiras, bolhas imobiliárias nos países emergentes, e leva à guerra cambial”.
De acordo com o ministro, a guerra cambial tende a "recrudescer, porque essa é uma arma que todos os países estão usando", afirmou.
As declarações foram feitas durante a entrega do prêmio Economista do Ano, organizado pela Ordem dos Economistas do Brasil, em São Paulo.
Perspectivas
Durante o discurso, Mantega disse que a perspectiva da economia mundial piorou recentemente, e não descartou risco de recessão. "Temos atualmente uma grave crise de confiança (...). Para os próximos dois anos teremos países com crescimento pífio. Os emergentes estão melhores, mas não estão isentos de risco", afirmou.
O ministro destacou que em um cenário de baixo crescimento, falta mercado para manufaturados. "Estamos partindo para a concorrência predatória". "Mesmo os emergentes precisam dos mercados externos para continuar crescendo".
Diante de uma piora da economia mundial, o ministro da Fazenda disse que o país tem "muita bala na agulha" para responder a um agravamento da crise. Ele reforçou que a diretriz adotada atualmente pelo ministério da Fazenda, que é a diretriz da presidente Dilma Rousseff é a de buscar resultados ficais cada vez mais sólidos. Para isso, o governo aposta na contenção de novos gastos de custeio, para que haja mais espaço para manter o investimento e reduzir a carga tributária.
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